Cianeto de potássio (POTASSIUM CYANIDE)

VENENO


1. Identificação do produto
Sinônimos:  Hydrocyanic acid, sodium salt; Cyanogran

CAS No.: 143-33-9
Peso Molecular: 49.01
Fórmula: KCN


2. Composição
  Ingrediente                                    CAS No         Percentual     Risco
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 Cianeto de potássio                       143-33-9       90 - 100%    SIM

3. Informações de segurança
 

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PERIGOSO! PODE SER FATAL SE INGERIDO, INALADO OU ABSORVIDO ATRAVÉS DA PELE.
O CONTATO COM ÁCIDOS LIBERA GÁS EXTREMAMENTE TÓXICO.
CAUSA QUEIMADURAS À PELE, OLHOS E TRATO RESPIRATÓRIO. AFETA O SANGUE, O SISTEMA CARDIOVASCULAR, O SISTEMA NERVOSO CENTRAL E A TIREÓIDE.

CLASSIFICAÇÃO DE RISCO DE J.T. Baker SAF-T-DATA(tm) -----------------------------------------------------------------------------------------------------------

SAÚDE : 3 - Severo (Veneno)

INFLAMABILIDADE: 0 - Nenhum

REATIVIDADE: 2 - Moderado

CONTATO: 3 - Severo (Risco de vida)

Equipamento de Proteção Individual: óculos de proteção, avental, capela com exaustão, luvas.
Código de cores para estocagem: : Azul (Saúde)
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Efeitos potenciais à saúde
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Na maioria dos casos o envenenamento com cianeto produz uma enganosa cor rosa na pele. Entretanto, se também está envolvida alguma injúria física ou falta de oxigênio, a cor da pele pode ser azulada. Olhos vermelhos e dilatação das pupilas são sintomas de intoxicação por cianeto. A cianose (descoloração azulada da pele) tende a estar associada com envenenamento deste tipo.
Inalação:
É corrosivo ao trato respiratório. A substância inibe a respiração celular e pode causar alterações no sangue, sistema nervoso central e tireóide. Pode causar dores de cabeça, fraqueza, tontura, náuseas, respiração difícil e vômito, os que podem ser seguidos por batimentos cardíacos fracos e irregulares, perda da consciência, convulsões, coma e morte.
Ingestão:
Extremamente tóxico! Corrosivo para o trato gastrointestinal com queimaduras na boca e esôfago, e dor abdominal. Doses maiores podem provocar rápida perda da consciência e morte súbita por parada respiratória. Doses menores porém ainda letais, podem prolongar a doença por uma ou mais horas.  Cheiro de amêndoas amargas pode ser notado na respiração ou no vômito. Outros sintomas podem ser semelhantes aos descritos, para o caso de inalação.
Contato com a pele:
Corrosivo. Pode causar dor severa e queima da pele. Soluções são corrosivas para a pele e olhos, e pode causar dor intensa e queimaduras na pele. As soluções são corrosivas para a pele e os olhos, e podem causar úlceras profundas que demoram para sarar. Pode ser absorvido pela pele, com sintomas similares aos citados para casos de inalação.
Contato com os olhos:
Corrosivo. Os sintomas podem incluir vermelhidão, dor, visão borrada e dano ocular.
Exposição crônica:
A exposição prolongada ou repetida pode causar erupção cutânea e feridas nasais.
Agravamento de condições pré-existentes:
Trabalhadores que usam cianetos deveriam ter um exame pré-admissão e depois de forma periódica. Aqueles com histórico de doenças do sistema nervoso central, tireóide, pele, coração ou pulmões, podem ser mais suscetíveis aos efeitos desta substância.



4. PRIMEIROS SOCORROS
NO CASO DE ENVENENAMENTO COM CIANETO, inicie imediatamente os primeiros socorros, e somente depois consiga atendimento médico. Um kit de antídoto contra cianeto (nitrito de amila, nitrito de sódio de tiossulfato de sódio) deve ser disponibilizado em toda área que trabalhe com cienetos. As ações a ser tomadas no caso de envenenamento com cianeto devem ser planejadas e praticadas antes de iniciar o trabalho com cianetos. Oxigênio e nitrito de amila podem ser fornecidos antes de chegar o atendimento médico. Permita à vítima inalar nitrito de amila por 15-30 segundos por minuto até poderem ser administrados nitrito de sódio e tiossulfato de sódio via intravenosa) (Veja nota para o médico). Uma nova ampola de nitrito de amila deveria ser usada cada 3 minutos.
Se o paciente tiver consciência mas apresentar os sintomas (náusea, respiração difícil, tontura, etc.), forneça oxigênio.
Se o paciente não estiver consciente ou se apresentar respiração difícil, fala confusa, etc., forneça oxigênio e nitrito de amila por meio de um respirador.
Se o paciente não estiver respirando, forneça oxigênio e nitrito de amila por meio de um respirador com pressão positiva (respirador artificial).
Inalação:
Remova o paciente para local com ar fresco. Administre o kit de antídoto e oxigênio se apresentar sintomas. Mantenha o paciente agasalhado e em repouso. Não dê respiração boca a boca.
Ingestão:
Administre o kit de antídoto e oxigênio antes de mais nada. Se o paciente estiver consciente, dê a ele suspensão com carvão ativo. Nunca dê nada via oral a um paciente inconsciente. Não induza vômito porque pode interferir com o uso de ressucitador.
Contato com a pele:
Lave imediatamente com água em abundância por pelo menos 15 minutos enquanto remove roupa e calçados contaminados. Obtenha imediatamente atenção médica. Lave as roupas e calçados antes de reutilizá-los. Se ocorrerem sintomas, administre o kit de antídoto e oxigênio.
Contato com os olhos:
Lave imediatamente os olhos com água em abundância por pelo menos 15 minutos, erguendo periodicamente as pálpebras. Chame imediatamente um médico.
Notas para o médico:
Se o paciente não responder ao nitrito de amila, injete I.V. uma solução com 10ml de nitrito de amila a 3% a uma razão de 2,5 a 3 ml/minuto. Após completar a administração, faça o mesmo com 50 ml de uma solução a 25% de tiossulfato de sódio na mesma velocidade. D~E à vítima oxigênio e mantenha-a sob observação. Se a exposição foi severa, observe a vítima por 24-48 horas. Se os sintomas de envenamento com cianeto persistirem ou reaparecerem, repita as injeções de nitrito e tiossulfato 1 hora depois, usando metade das doses. A administração I.M. de cianocobalamina (vitamina B12) pode acelerar a recuperação. Exposições moderadas a cianeto podem ser tratadas apenas por medidas auxiliares como repouso na cama e oxig~enio.


5. Combate a incêndio:

Não é combustível, mas na decomposição ou por contato com ácidos, esse material libera gás de cianeto de hidrogênio, altamente inflamável e tóxico.  Use qualquer meio apropriado para extinguir o fogo. Não use dióxido de carbono (CO2), pois pode reagir com esse material na presença de umidade para produzir cianeto de hidrogênio. Água em aerossol pode ser usada para manter os recipientes resfriados. Reage lentamente com água para formar cianeto de hidrogênio.  Use roupas de proteção, aparelho de respiração autônoma com pressão positiva e com proteção facial.

Explosão:

Não é considerado um produto explosivo, mas o aquecimento com cloratos ou nitritos a 450C (842F) pode causar explosão. Uma explosão violenta pode ocorrer se for misturado com sal de nitrito. Recipientes fechados podem sofrer ruptura quando aquecidos.


6. Medidas em caso de vazamento:

Derramamentos: ventile a área do vazamento ou derramamento. Permita o acesso somente a pessoal qualificado para lidar com o derramamento. O pessoal de limpeza deve usar roupas de proteção e proteção respiratória contra vapores. O material coletado deve ser colocado em um recipiente fechado para recuperação ou eliminação. Não jogue na rede de esgoto! Descontamine os resíduos sólidos ou líquidos na área do derramamento com solução de hipoclorito de sódio ou de cálcio.



7. Manipulação e estocagem:

Mantenha em recipiente bem fechado em local fresco, seco e ventilado. Proteja o recipiente contra danos físicos. Separe-os dos incompatíveis. Pessoas que trabalharem com cianetos devem ter treinamento especial e treinamento de primeiros socorros para intoxicações, e efetuar exames periódicos. Os recipientes desse material podem ser perigosos quando vazios. Não estoque o material perto de produtos combustíveis ou inflamáveis nem sob sistemas de combate a incêndios que usem água.
Os kits de antídotos devem ser checados anualmente quanto à validade. É essencial a identificação de recursos médicos e de equipes de resgate na comunidade que tenham treinamento para lidar com emergências envolvendo cianetos.



8. Propriedades físicas e químicas
Aparência:
Sólido branco granular.
Cheiro:
Amêndoas amargas.
Solubilidade:
48 g/100 cc a 10C (50F)
Gravidade específica:
1.60 a 25C/4C
pH:
Soluções aquosas são extremamente alcalinas
% Voláteis por volume a 21C (70F):
0
Ponto de ebulição:
1496C (2725F)
Ponto de fusão:
564C (1047F)
Densidade de Vapor (Ar=1):
Não foi encontrada informação
Pressão de Vapor (mm Hg):
1 a 817C (1503F) 
10. Estabilidade e reatividade

ESTABILIDADE:

Muito estável quando seco. A umidade produz lenta decomposição, liberando gás de cianeto de hidrogênio, extremamente tóxico.
Produtos de decomposição:
Emite fumaça tóxica de cianeto e óxidos de nitrogênio quando aquecido o suficiente para sofrer decomposição.
Polimerização:
Não ocorre.
Incompatibilidades:
Ácidos. Nitritos, nitratos, cloratos, fluoreto, magnésio e oxidantes fortes. Reage com ácidos liberando gás cianídrico (HCN), extremamente tóxico e inflamável. Soluções fracamente alcalinas ou água podem produzir perigosas quantidades de HCN em áreas confinadas. Reage com CO2 do ar produzindo HCN .
Condições que devem ser evitadas:
Calor, umidade, incompatíveis .


10. Informação Toxicológica
 
Dose oral para ratos LD50: 6440 ug/kg. Investigado como carcinogênico, mutagênico e tóxico do sistema reprodutor.  Não consta como agente carcinogênico (IARC, NTP).
11. Informação ecológica
Esse material é muito tóxico em ambientes aquáticos e terrestres.


12. Eliminação
Os cianetos devem ser oxidados antes de ser eiminados. Uma solução alcalina (pH ao redor de 10) é tratada com hipoclorito em excesso para decompor o cianeto. Quando livre de cianeto, pode ser neutralizada (veja os protocolos de neutralização química).