BIOQUÍMICA NA REDE 

Sua Revista eletrônica de Bioquímica

IBILCE-UNESP - ANO I - No. 5 (JULHO) 2003

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AS ENZIMAS DE RNA (RIBOZIMAS)

  Quando alguém fala a respeito de enzimas costuma vir à mente a noção de enzima=proteína, conceito que de fato foi correto até a década de 80, quando foi descoberta a existência de enzimas de RNA, que foram denominadas "ribozimas". Os pesquisadores Thomas R.Cech (Cech et al., Cell 26: 487-496) e Sidney Altman ganharam, em 1989, o Prêmio Nobel pela sua descoberta.
  O que fazem as ribozimas? Elas participam do corte de moléculas de RNA mensageiro (splicing) fazendo a remoção de "introns", ou seja, as regiões que não são traduzidas. Outras participações incluiriam: a formação da ligação peptídica na síntese de proteínas (acredita-se que a "peptidil-transferase" seja uma ribozima, e no caso da Ribonuclease P, 80% da enzima é RNA que, sob condições apropriadas, pode catalisar sozinho a reação.
   As ribozimas abriram uma interessante perspectiva na evolução pré-biótica, pois temos moléculas capazes de conter informação genética, fazer auto-replicação, exercer ações catalíticas e até catalisar a síntese de proteínas. As proteínas, com sua riqueza de propriedades físico - químicas, posteriormente teriam assumido o papel predominante como agentes de catálise.
   Atualmente existem várias possíveis aplicações para as ribozimas, que incluem: 1) análise da função gênica e terapia gênica. As ribozimas podem ser "desenhadas" para alvos específicos de transcrição gênica (hnRNA, mRNA) de forma a fazer sua clivagem seja in vitro, ou in vivo. O efeito esperado consiste na inibição da expressão do "gene- alvo" de forma flexível, a diferença do chamado "bloqueio" (knockout) do gene.  Essa abordagem seria útil, por exemplo, no caso de doenças dominantes, causadas pela expressão de um único alelo (retinite pigmentosa, diença de Huntington, cardiomiopatia hipertrófica familiar, etc.)

Molécula de Ribozima. Fonte: A. Lewin (ver página abaixo)

    2) As ribozimas também abrem possibilidades no que se refere ao desenvolvimento de novas drogas e formas de terapia gênica. Por exemplo, as ribozimas poderiam tratar agentes infecciosos (bactérias, vírus, etc.), através do uso de fagos ou outros vetores.
Mais informações: Página do Dr. A. Lewin, ou The Ribozyme Web Page

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Números anteriores da Bioquímica na Rede:
 (BNR-1), (BNR-2) , (BNR-3), (BNR-4)

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A SEROTONINA


    A Serotonina (também conhecida como 5-hidroxi - triptamina ou 5-HT) funciona no sistema nervoso central como neurotransmissor, sendo secretada por neurônios serotonérgicos. É uma monoamina, pertencente ao grupo das "aminas biogênicas", sendo formado por descarboxilação e hidroxilação a partir do aminoácido triptofano (Trp), que também é precursor da melatonina. Cabe ressaltar que aquela não é sua ação exclusiva; é encontrada em outros órgãos também, principalmente no trato gastrointestinal, e em menor concentração nas plaquetas.
    O interesse em torno da serotonina deriva da sua relação com vários aspectos comportamentais e estados patológicos. No primeiro aspecto poderiam ser citados seus efeitos como a diminuição da latência para o sono (
lembra do "leitinho para dormir"? Pois é, o leite é rico em Triptofano!), e diminuição do apetite. Neste aspecto, fármacos que agem como "inibidores do apatite" elevam os níveis de serotonina.
    A diminuição dos níveis de serotonina estão aparentemente relacionados com o humor, emoções, ansiedade,
a depressão, desordens obsessivas compulsivas, e comportamento agressivo. Ainda, na medida em que drogas como o LSD são capazes de se ligar a alguns receptores de serotonina (existem pelo menos 14 tipos de receptores), esta também poderia participar de processos perceptivos.
    O famoso "Ecstasy" atua sobre proteínas transportadoras de serotonina, que usualmente trabalham levando a serotonina liberada na sinapse e não ligada a receptores, de volta ao neurônio que a liberou, no qual pode ser estocada em vesículas para nova utilização, ou degradada pela monoamino-oxidase (MAO).

Ação da serotonina (5-HT) na sinapse

 O Ecstasy age impedindo a ação dos transportadores e até fazendo com que ajam no sentido contrário, isot é, trazendo mais serotonina para a sinapse. De forma semelhante, também afeta outro neurotransmissor: a dopamina.Veja mais detalhes sobre a ação do Ecstasy no site do NIDA.



LINKS interessantes para você aprender mais sobre Bioquímica

A nossa Bioquímica: Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)

Brazilian Journal of Medical and Biological Research (BJMBR)

União Internacional de Bioquímica e Biologia Molecular (IUBMB)

BIOCARTA: Mapas Metabólicos

A ótima VISÃO BIOQUÍMICA da UnB

ENZIMAS: Regras de Nomenclatura da IUBMB

EXPASY: Site com vários links e ferramentas interessantes.

O que tem nesta comida? (pelo menos teoricamente) COMPOSIÇÃO QUÍMICA DOS ALIMENTOS: UNIFESP

O que foi publicado sobre este assunto? ENTREZ-PUBMED: Pesquisa da literatura científica na área médica e biológica

A excelente Revista eletrônica da Química da UFSC: aqui


OUTROS LINKS...

Pratique a Segurança Química no seu laboratório: aqui



HISTÓRIA DA BIOQUÍMICA:

Altman e Cech

    Ganhadores do Prêmio Nobel de 1989 pela descoberta das ribozimas, abriram as perspectivas da Bioquímica e tiraram das proteínas o título de "as únicas a serem enzimas". 
 

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  • Trocando o tipo sangüíneo  com enzimas
  • A corrida pelo sangue artificial




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Responsável: Prof. Dr. Gustavo O. Bonilla Rodriguez (e-mail)
Depto. de Química e Ciências Ambientais, IBILCE-UNESP, Rua Cristovão Colombo 2265
São José do Rio Preto SP CEP 15054-000 BRASIL
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